Kashim Shettima, Vice-Presidente da Nigéria, afirmou que África não pode continuar a preencher a agenda do Conselho de Segurança enquanto permanece ausente da sua composição permanente. A Nigéria exige pelo menos dois lugares permanentes para África no Conselho e cinco lugares não permanentes, acrescentando: «A autoridade para falar em nome da humanidade traz consigo a obrigação de a representar.»
«Rejeitamos a falsa escolha entre desenvolvimento e ação climática», prosseguiu, destacando o compromisso da Nigéria com o Acordo de Paris, enquanto o país procura atingir emissões líquidas zero até 2060. O financiamento climático deve reger-se pela equidade e pela responsabilidade partilhada, e não pela caridade, através de mecanismos devidamente financiados que permitam aos países em desenvolvimento agir sobre o clima sem comprometer os seus objetivos de desenvolvimento.
«Grande parte da ansiedade em torno da IA reflete a desconfiança que permitimos crescer entre nós», afirmou, convidando o mundo a trabalhar com os jovens nigerianos para orientar a inteligência artificial para o progresso da humanidade e não para a sua destruição.
O financiamento inadequado constitui um grande obstáculo ao desenvolvimento sustentável, acrescentou, apelando à reforma financeira internacional, a maior acesso a financiamento concessional e a melhores quadros de sustentabilidade da dívida.
Elogiou a Zona de Comércio Livre Continental Africana como uma oportunidade transformadora que oferece um enorme potencial para aprofundar a integração regional, acelerar a industrialização e reforçar a posição de África nas cadeias de valor globais. «Os nossos abundantes recursos naturais devem tornar-se motores de prosperidade partilhada, e não fontes de dependência permanente», afirmou.
Acrescentou que a longa luta da Nigéria contra o Boko Haram, o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) e outros grupos armados demonstrou que as vitórias militares devem ser acompanhadas por educação, oportunidades económicas, governação responsável e comunidades onde os direitos e a dignidade sejam protegidos.
«O desenvolvimento não pode criar raízes onde a violência destrói repetidamente os meios de subsistência», disse, «e a paz não pode durar onde a injustiça e a exclusão renovam as fileiras daqueles que a ameaçam».


