Ronald Ozzy Lamola, Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, recordou que há 60 anos a ONU adotou uma resolução condenando o apartheid como crime contra a humanidade. «O fim do apartheid libertou o povo sul-africano da segregação racial e dos massacres, da dominação e da privação, da humilhação e da exploração», afirmou, descrevendo «uma história gloriosa que demonstra o que o multilateralismo pode alcançar».
Observou que a promessa da democracia e da cooperação internacional «enfraquece quando não conseguimos demonstrar que são capazes de enfrentar a desigualdade e a insegurança». «Confrontada com a posição pouco invejável de sociedade mais desigual do mundo, a África do Sul fez da desigualdade um dos principais focos da sua presidência do G20 em 2025», disse.
A desigualdade significa que «os 10% mais ricos possuem cerca de 75% da riqueza mundial, enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 2%». Esta realidade, contudo, não é insuperável.
Em conjunto com Brasil, Noruega e Espanha, apelou à Assembleia para apoiar a criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade.
Além disso, muitos governos têm de escolher «entre responder às necessidades dos seus cidadãos e satisfazer as expectativas dos credores». No último ano, os países africanos gastaram aproximadamente tanto no serviço da dívida quanto o montante necessário para colmatar o défice de financiamento das infraestruturas.
Sobre o clima, recordou que dois milhões de pessoas na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral sofreram, no último ano, os efeitos devastadores de inundações, ciclones, incêndios florestais e surtos de doenças.
Com respostas «fortemente limitadas por uma arquitetura de financiamento climático desfavorável aos países em desenvolvimento», apelou a uma ação global em matéria de resiliência a catástrofes e a financiamento previsível para uma transição energética justa.
Observando que África possui as maiores reservas mundiais de minerais críticos, salientou que estes «podem ajudar a reduzir a diferença entre nações ricas e pobres».
Ao mesmo tempo, «acabar com a fome e alargar o acesso à água potável e ao saneamento exigiria não mais de 5% dos 2,9 biliões de dólares gastos em armamento».
Além disso, com África a representar quase um quinto da população mundial e mais de um quarto dos Estados-Membros da ONU, «lugares permanentes para África no Conselho de Segurança já deveriam existir há muito tempo».


