Hassan Sheikh Mohamud, Presidente da Somália, alertou que o respeito pelo direito internacional está a tornar-se cada vez mais seletivo, a cooperação multilateral está a enfraquecer e a incerteza «tornou-se o novo normal».
Com o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030 em apenas 36%, salientou que a confiança nas Nações Unidas «não será restaurada apenas com declarações», mas quando as instituições agirem de forma coerente, respeitarem o direito internacional e apresentarem resultados concretos.
«Passemos das promessas ao desempenho», pediu. «Invistamos não apenas na gestão das crises, mas também na sua prevenção» e construamos uma ONU que «funcione melhor para toda a humanidade».
Apelando a um Conselho de Segurança mais representativo, transparente e eficaz, destacou que África continua sem representação permanente e sub-representada na categoria não permanente.
«Esta injustiça histórica contra 54 Estados soberanos não pode ser adiada indefinidamente», afirmou, reafirmando o apoio da Somália à Posição Comum Africana.
Sobre as operações da ONU, pediu «uma parceria mais responsável, estratégica e orientada para resultados» que reforce, em vez de substituir, a liderança nacional.
A antiga suposição na política de desenvolvimento das Nações Unidas de que países como a Somália não possuem capacidade deve ser definitivamente remetida para «o caixote do lixo da história», afirmou: «Temos agora pessoas, instituições e políticas capazes que orientam com orgulho a nossa transformação nacional.»
Sobre a transição política, recordou que a última eleição da Somália por sufrágio universal ocorreu em 1969.
«Hoje, estamos determinados a mudar essa história», declarou, destacando a reforma constitucional destinada a estabelecer sufrágio universal, instituições responsáveis e um sistema político multipartidário.
O objetivo da Somália é uma democracia eficaz «onde as diferenças sejam resolvidas pelo diálogo, pela lei e pelas eleições, e não pela violência».
Sobre a segurança, afirmou que a Somália permanece na linha da frente da luta contra o terrorismo internacional e pediu apoio previsível e sustentável para a sua transição de segurança, incluindo financiamento adequado para a missão da União Africana na Somália.


