Num discurso firme perante as Nações Unidas, o Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, destacou a necessidade de reorganizar as relações internacionais para garantir a África o lugar que lhe cabe na tomada de decisões globais. Com o Burundi a presidir este ano à União Africana, afirmou que chegou o momento de o continente passar da posição de observador para a de parceiro central e participante na formulação de políticas internacionais.
«Estamos aqui para transmitir uma convicção firme: África deve ser mais ouvida, melhor representada e mais estreitamente envolvida nas decisões que moldam o futuro do nosso planeta», afirmou o Presidente burundês, defendendo que uma participação inclusiva e efetiva pode construir pontes de confiança entre África e os restantes continentes.
Sobre a reforma do sistema das Nações Unidas, rejeitou papéis secundários para o continente. «África pretende ser um ator pleno, e não apenas um observador convidado a aplaudir decisões para as quais não contribuiu», afirmou, renovando o pedido de representação africana permanente no Conselho de Segurança para refletir o peso demográfico e político do continente.
Em matéria de segurança regional, Ndayishimiye ligou diretamente a estabilidade geopolítica ao progresso económico, sublinhando que «a paz continua a ser a condição essencial para o desenvolvimento». Disse que o Burundi acompanha atentamente a evolução da segurança na região dos Grandes Lagos, no Sudão, no Sahel e na Somália.
Renovou o apelo ao princípio de «soluções africanas para problemas africanos», defendendo um reforço da parceria entre a União Africana e as Nações Unidas para fortalecer a prevenção de conflitos, a mediação e a resolução pacífica de disputas.
No plano económico, o Presidente burundês pediu o fim da exclusão de África da definição das políticas comerciais mundiais, recordando que o continente reúne 55 países e mais de 1,4 mil milhões de habitantes. Em nome da União Africana, exigiu representação justa na Organização Mundial do Comércio: «Não estamos a pedir um favor; estamos a exigir justiça.»


