John Dramani Mahama, Presidente do Gana, afirmou: «O sentimento de pertença dá-nos raízes; recorda-nos que fazemos parte de uma história humana muito maior do que nós próprios.» Mas a pertença também tem um lado sombrio. «Quando é transformada em arma pela conveniência política, torna-se nativismo, chauvinismo, xenofobia e preconceitos perigosos contra aqueles que são considerados diferentes», acrescentou.
«Nenhuma raça é superior. Nenhuma nação é inferior», salientou, acrescentando que «a vida de nenhuma criança vale menos por causa da língua que fala, da fé que professa, da cor da pele ou da terra onde nasceu». Isto, afirmou, deve continuar a ser o fundamento moral das Nações Unidas.
Recordou o compromisso assumido no ano anterior para obter reconhecimento internacional do tráfico transatlântico e da escravização racial de africanos como um dos crimes mais graves contra a humanidade, posição confirmada pela Assembleia em março.
«Alguns advertiram que estávamos a reabrir velhas feridas», disse, «mas viemos procurar cura».
«África não procura caridade. África procura uma parceria em pé de igualdade, assente no respeito mútuo», salientou.
A exclusão de África da categoria de membros permanentes do Conselho de Segurança é «fundamentalmente inaceitável no século XXI», afirmou, apelando a representação permanente com plenos direitos e poder de veto.
«A reforma do Conselho de Segurança não é um favor a África; é um imperativo para a legitimidade, credibilidade e sobrevivência das Nações Unidas», acrescentou.
Sobre os conflitos globais, alertou para «uma perigosa deriva em direção ao unilateralismo, à ausência de regras e à erosão das normas multilaterais».
Sobre Gaza, pediu à comunidade internacional que «deixe de usar eufemismos diplomáticos para esconder a carnificina humana», reafirmando ao mesmo tempo o apoio à solução de dois Estados e condenando «todos os atos de terrorismo do Hamas».
Classificou as alterações climáticas como «o teste final da equidade global», apelando aos países desenvolvidos para fornecerem «subvenções previsíveis que não criem dívida».


