Tiémoko Meyliet Koné, Vice-Presidente da Côte d’Ivoire, alertou que «o mundo assiste à fragmentação gradual da sua arquitetura de paz» e a uma preocupante reconfiguração do panorama internacional, apontando para a difícil situação no leste da República Democrática do Congo e no Sudão.
Referindo «falta de apoio de alguns parceiros e das Nações Unidas», afirmou que vários países africanos «lutam para encontrar soluções duradouras para os conflitos e suportar os custos das diferentes operações de combate ao terrorismo e manutenção da paz», enquanto «o extremismo violento, o crime organizado transnacional e o tráfico ilícito» continuam a desestabilizar várias regiões, sobretudo o Sahel.
Neste contexto, elogiou os esforços da ONU, da União Africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e de todos os parceiros de segurança.
Reafirmando o apoio à reforma do Conselho de Segurança para assegurar uma representação africana permanente, abordou também outro défice: as grandes necessidades de financiamento de muitos países em desenvolvimento.
A Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento demonstrou que «os recursos necessários existem», afirmou. «O desafio agora está na nossa capacidade coletiva de os mobilizar» e de os canalizar com maior equidade, solidariedade e eficácia.
Apelou, por isso, a uma reforma ambiciosa da arquitetura financeira internacional, garantindo aos países em desenvolvimento acesso mais justo aos recursos necessários para financiar infraestruturas, saúde, educação, energia e empregos dignos para os jovens.
Sobre o clima, recordou que África é a região que menos contribui para as emissões globais de gases com efeito de estufa, «mas continua entre as mais afetadas pelas suas consequências». O cumprimento dos compromissos internacionais sobre financiamento climático, adaptação e transferência de tecnologia é, portanto, imperativo.
A Côte d’Ivoire prossegue o seu caminho para uma economia mais forte e diversificada através do Plano Nacional de Desenvolvimento 2026-2030, alinhado com a Agenda 2030 e a Agenda 2063 da União Africana.
«A nossa ambição continua a ser construir uma nação próspera e unida, onde o crescimento económico se traduza em mais oportunidades, progresso social e bem-estar», declarou.


