«Como restaurar a confiança quando, durante décadas, a propaganda foi utilizada para manter a ideia de uma África pobre?», perguntou Lamine Zeine Ali Mahaman, Primeiro-Ministro do Níger, recordando que o tema da sessão deste ano é «Restaurar a confiança, gerir a transformação».
Rejeitou a narrativa segundo a qual o continente africano sobrevive graças à ajuda internacional, afirmando que as suas riquezas são exploradas em benefício de outros. Como restaurar a confiança, prosseguiu, quando África, com mais de 1,4 mil milhões de habitantes e 54 Estados, continua sem um único lugar permanente no Conselho de Segurança?
«O nosso Sahel está em guerra. Está numa guerra de libertação contra uma conspiração destinada a recolonizá-lo», declarou, afirmando que aquilo que alguns chamam de terrorismo na região é «a maquinaria cínica da recolonização», motivada, segundo ele, pela cobiça pelo urânio do Níger e por outros recursos naturais.
«Querem fazer-nos acreditar que somos incapazes de nos governar a nós próprios», afirmou, acusando a França e os seus intermediários de tentarem desestabilizar o Sahel central e de planearem ataques contra posições militares e instalações petrolíferas.
«O Sahel vê. O Sahel ouve», disse, sublinhando a determinação da região em defender a sua liberdade, os seus recursos e a sua dignidade a qualquer custo.
Descrevendo a Aliança dos Estados do Sahel (AES) como resultado de uma longa luta histórica contra o colonialismo e o neocolonialismo, classificou-a como «um processo irreversível rumo à soberania dos nossos países».
A refundação do Níger não é dirigida contra ninguém, salientou, mas reflete a determinação do país em confiar em si próprio, exercer pleno controlo sobre os seus recursos e assumir responsabilidade pelas suas escolhas e alianças.
«A soberania dos nossos Estados não é negociável. Os nossos recursos pertencem aos nossos povos. O nosso futuro já não será decidido noutro lugar», declarou.


