Samuel Ntsokoane Matekane, Primeiro-Ministro do Lesoto, apelou a um sistema multilateral mais forte e mais responsivo, sublinhando que a experiência do seu país demonstra o valor da diplomacia preventiva.
O Lesoto, afirmou, restaurou a paz e a estabilidade após períodos de instabilidade política e de segurança, acrescentando que «a diplomacia preventiva continua a ser o meio mais eficaz de evitar conflitos e garantir uma paz sustentável».
«Reconhecemos que uma cultura de paz exige instituições fortes», acrescentou.
Sobre as alterações climáticas, advertiu que já «não são uma ameaça futura, mas uma realidade presente», apontando para «inundações e secas cada vez mais severas», uma «degradação dos solos sem precedentes» e danos nas infraestruturas.
Países menos desenvolvidos como o Lesoto contribuem pouco para as emissões globais, mas suportam uma carga desproporcionada, disse, apelando aos países desenvolvidos para disponibilizarem financiamento climático e tecnologia adequados e acessíveis.
«A justiça climática não exige menos do que isso», salientou, referindo o Fundo para uma Transição Energética Justa do país, destinado a expandir as energias renováveis, criar empregos e reduzir a dependência do trabalho migrante.
Quanto ao desenvolvimento, afirmou que o desemprego juvenil continua nos 38% e pediu o cumprimento dos compromissos de ajuda pública ao desenvolvimento e instituições financeiras internacionais mais justas e equitativas.
Sobre a migração, disse que não é «um conceito abstrato» para o Lesoto, mas «uma realidade vivida diariamente», que beneficia tanto os países de origem como os de destino.
«Proteger a dignidade e as liberdades dos migrantes, independentemente do seu estatuto, não é apenas uma obrigação legal, mas também um imperativo moral», salientou.
Apoiando uma reforma do Conselho de Segurança que dê aos países africanos uma voz mais forte, apelou a soluções diplomáticas na Ucrânia, no Médio Oriente, no Sudão e no leste da República Democrática do Congo.
Apelou ainda ao investimento na prevenção de conflitos, na boa governação e na cooperação internacional, afirmando que a cooperação, a solidariedade e a responsabilidade partilhada continuam a ser o único caminho viável para um futuro pacífico.


