Um novo ano letivo começou em muitos países, mas milhões de crianças continuam a frequentar escolas onde a água não é segura para beber, as casas de banho não funcionam e não há locais adequados para lavar as mãos.
É o que revela um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da UNICEF que analisa o progresso dos serviços de Água, Saneamento e Higiene (WASH) nas escolas entre 2015 e 2025.
Os serviços WASH são essenciais nas escolas porque influenciam a aprendizagem, a saúde e a dignidade, particularmente das raparigas.
Neste período, a percentagem de escolas com serviços básicos de água potável aumentou de 67% para 78%. A cobertura global do saneamento básico subiu de 67% para 77% e a higiene básica de 59% para 72%.
Progresso em risco
Apesar destas melhorias, o relatório alerta que o mundo continua fora da trajetória necessária para garantir acesso universal até 2030, conforme previsto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Em 2025, 429 milhões de crianças em idade escolar não tinham serviços de água potável na escola, 460 milhões não tinham serviços básicos de saneamento e 545 milhões não tinham serviços básicos de higiene com água e sabão para lavar as mãos.
Desigualdades entre países
Persistem desigualdades significativas, com as maiores lacunas nos países de baixos rendimentos e em contextos frágeis, sobretudo na África Subsaariana.
Por exemplo, apenas 54% das escolas nos países de baixos rendimentos tinham serviços básicos de água potável, 50% saneamento básico e 35% higiene básica. Nos países mais ricos, a cobertura dos três serviços ultrapassava 99%.
Desafio na África Subsaariana
A África Subsaariana apresentava os níveis mais baixos de cobertura. Menos de metade das escolas tinha serviços básicos de água potável (46%) ou saneamento básico (43%), e apenas 39% dispunha de serviços básicos de higiene.
Quase três em cada cinco crianças no mundo sem água potável básica na escola — cerca de 250 milhões — vivem na região, que também concentra cerca de 264 milhões de crianças sem saneamento básico e 282 milhões sem higiene básica.
Alcançar acesso universal à água potável e higiene nas escolas nos próximos cinco anos exigiria quadruplicar o atual ritmo de progresso e multiplicá-lo por cinco no caso do saneamento.
A UNICEF alertou que «sem uma ação mais rápida, centenas de milhões de crianças continuarão sem estes serviços essenciais nas escolas em 2030».


