«As Nações Unidas ainda precisam demonstrar que conseguem adaptar-se a um mundo em mudança e incerto», declarou Justin Nsengiyumva, Primeiro-Ministro do Ruanda, apelando aos Estados-Membros para tornarem essa mudança possível.
Disse que o seu país, que há 30 anos estava numa trajetória semelhante, sobreviveu graças à sua «capacidade de reconstrução contra todas as probabilidades», acrescentando que «o que tornou isso possível foi um princípio simples: as instituições conquistam legitimidade não pelo que prometem, mas pelo que entregam, ano após ano».
Recordando pandemias, choques climáticos e perturbações tecnológicas já vividos pelo mundo, afirmou que «demasiadas vezes, as Nações Unidas foram mais eficazes a responder às crises do que a antecipá-las», atitude que, segundo ele, teve efeitos especialmente negativos em situações de conflito.
Apontou como exemplo a crise no leste da República Democrática do Congo, onde, segundo afirmou, as Forças Democráticas de Libertação do Ruanda cometeram graves abusos e difundiram ideologia genocida.
«As raízes do conflito no leste da RDC são políticas e encontram-se em queixas antigas, exclusão e falhas de governação. A solução, portanto, também deve ser política», declarou, apelando a todos os atores, incluindo o Conselho de Segurança, para apoiarem os esforços de paz em curso.
«O valor da prevenção vai além do conflito. Significa também enfrentar as condições que deixam os países vulneráveis à pobreza, aos choques económicos e à exclusão de oportunidades», afirmou.
Sobre o processo de reforma UN80, pediu um sistema que ofereça aos países condições equitativas para o seu próprio desenvolvimento.
«A questão perante esta Assembleia não é saber se o multilateralismo continua relevante. É saber se as nossas instituições estão preparadas para se adaptar aos desafios do nosso século e produzir resultados que realmente importam.»


